Se
sou capaz de perdoar, então devia
perdoar
a mim própria
e
deixar de estar sempre a julgar
como
é que sou ou como é que devia ser.
Não
se trata aqui de consciência,
é
antes a soberba que me aperreia
num
torno estúpido que me atormenta.
Eis-me
aqui condenada a interrogar-me
o
que fazer para ser perfeita.
Ficar-me
pela aparência, quiçá descrever
apenas
as coisas com ternura.
Tradução de A.M.
Original:
Se
posso perdonare, allora devo
riuscire
a perdonare anche me stessa
e
smetterla di starmi a giudicare
per
come sono o come dovrei essere.
Qui
non si tratta di consapevolezza
ma è
la superbia che mi tiene stretta
in
una stolta morsa che mi danna.
Eccomi
infatti qui dannata a chiedermi
che
cosa fare per essere perfetta.
Tenersi
all’apparenza, forse descrivere
soltanto
cose in mutua tenerezza.
O poema explora o difícil caminho para o perdão de si
própria. A voz poética reconhece que a exigência de perfeição e o julgamento
constante impedem a aceitação pessoal. A referência à soberba revela como o
orgulho pode transformar a consciência numa prisão interior. A pergunta sobre
como alcançar a perfeição evidencia uma contradição: a tentativa de superar as
próprias limitações gera sofrimento. Nos versos finais, surge a possibilidade
de abandonar essa exigência, privilegiando a ternura e a simplicidade.
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