Quando
éramos pequenos
os
velhos tinham à roda de trinta anos
um
charco era um oceano
a
morte chã e lisa
não
existia.
Depois,
em rapazes,
os
velhos eram pessoas de quarenta,
um
tanque era um oceano,
a
morte somente
uma
palavra.
Já
quando nos casámos,
os
anciãos estavam nos cinquenta,
um
lago era um oceano,
a
morte era a morte
dos
outros.
Agora
veteranos,
alcançamos
por fim a verdade,
o
oceano é enfim o oceano
e a
morte começa a ser
a
nossa.
Tradução
de A.M.
Original:
Cuando
éramos niños
los
viejos tenían como treinta
un
charco era un océano
la
muerte lisa y llana
no
existía.
Luego
cuando muchachos
los
viejos eran gente de cuarenta
un
estanque era un océano
la
muerte solamente
una
palabra.
Ya
cuando nos casamos
los
ancianos estaban en los cincuenta
un
lago era un océano
la
muerte era la muerte
de
los otros.
Ahora
veteranos
ya
le dimos alcance a la verdad
el
océano es por fin el océano
pero
la muerte empieza a ser
la
nuestra.
No poema, a infância surge como um tempo de descoberta,
inocência e liberdade, contrastando com a complexidade da vida adulta. A
memória recupera um passado em que o mundo parecia maior, mais simples e cheio
de possibilidades. A passagem do tempo revela, porém, as perdas, as desilusões
e as mudanças que acompanham o crescimento. Benedetti utiliza a nostalgia para refletir
sobre a condição humana, sugerindo que crescer significa também afastarmo-nos
de uma parte essencial de nós próprios: a capacidade de olhar o mundo com
espanto e esperança.

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