Mario Benedetti - Quando éramos pequenos / Cuando éramos niños

 


Quando éramos pequenos

os velhos tinham à roda de trinta anos

um charco era um oceano

a morte chã e lisa

não existia.


Depois, em rapazes,

os velhos eram pessoas de quarenta,

um tanque era um oceano,

a morte somente

uma palavra.


Já quando nos casámos,

os anciãos estavam nos cinquenta,

um lago era um oceano,

a morte era a morte

dos outros.


Agora veteranos,

alcançamos por fim a verdade,

o oceano é enfim o oceano

e a morte começa a ser

a nossa.


  Tradução de A.M.


  Original:


Cuando éramos niños

los viejos tenían como treinta

un charco era un océano

la muerte lisa y llana

no existía.


Luego cuando muchachos

los viejos eran gente de cuarenta

un estanque era un océano

la muerte solamente

una palabra.


Ya cuando nos casamos

los ancianos estaban en los cincuenta

un lago era un océano

la muerte era la muerte

de los otros.


Ahora veteranos

ya le dimos alcance a la verdad

el océano es por fin el océano

pero la muerte empieza a ser

la nuestra.


      No poema, a infância surge como um tempo de descoberta, inocência e liberdade, contrastando com a complexidade da vida adulta. A memória recupera um passado em que o mundo parecia maior, mais simples e cheio de possibilidades. A passagem do tempo revela, porém, as perdas, as desilusões e as mudanças que acompanham o crescimento. Benedetti utiliza a nostalgia para refletir sobre a condição humana, sugerindo que crescer significa também afastarmo-nos de uma parte essencial de nós próprios: a capacidade de olhar o mundo com espanto e esperança.


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