a
mais obscura.
O
leitor é que tem às vezes,
em
lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o
nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se
regressar
outra
vez e outra vez
e
outra vez
a
essas sílabas acesas
ficará
cego de tanta claridade.
Abençoado
seja se lá chegar.
in, Os Sulcos da Sede, 2001
O poema valoriza a palavra poética pela luz e valoriza quem a procuraa. A expressão do título sugere uma procura de
transparência interior, afastando a confusão e as ilusões (nevoeiro). Os versos transmitem serenidade, mas também uma exigência ética: ver claramente implica reconhecer a
beleza, a verdade e a fragilidade da existência.

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