Cai
sobre nós
como
faria um homem faminto
sobre
um prato de sopa quente,
uma
noite de inverno.
Tudo
se move para onde tem de ser,
mudança
nenhuma
é
demasiado profunda.
Devíamos
prestar mais atenção,
ser
mais cuidadosos,
o
tempo dobra-se sobre si mesmo
e o
que aconteceu,
algo
de que julgávamos
que
estávamos livres,
podia
estar à beira de acontecer de novo,
pela
primeira vez.
Tradução
de A.M.
Original:
Cae
sobre nosotros
como
lo haría un hombre hambriento
sobre
un plato de sopa caliente,
una
noche de invierno.
Todo
se mueve hacia donde tiene que moverse,
ningún
cambio
es
un cambio demasiado profundo.
Deberíamos
prestar más atención,
deberíamos
ser más cuidadosos,
el
tiempo se pliega sobre sí mismo
y lo
que ocurrió,
algo
de lo que creíamos
que
nos habíamos librado,
podría
estar a punto de ocurrir de nuevo,
por
primera vez.
O poema apresenta a escuridão como metáfora de um recomeço não
esperado na vida humana. A noite (velhice?) surge de forma quase física,
avançando sobre «nós» com força inevitável. O movimento das coisas parece
obedecer a uma ordem prévia, enquanto o tempo se dobra. O poema transmite,
assim, uma inquietação discreta: aquilo que julgávamos ultrapassado pode
regressar inesperadamente. A linguagem simples e quotidiana reforça o carácter
filosófico da reflexão sobre memória, tempo e destino.

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