Alejandra Pizarnik - Carência / La Carencia

 



Eu não sei de pássaros,

nem conheço a história do fogo.

Mas creio que devia ter asas a minha solidão.


Desfolha-se este lilás.

De si mesmo cai

e oculta sua antiga sombra.

Eu hei-de morrer de coisas assim.


  Tradução de A.M.


  Original:


Yo no sé de pájaros,

no conozco la historia del fuego.

Pero creo que mi soledad debería tener alas.

 

Esta lila se deshoja.

Desde sí misma cae

y oculta su antigua sombra.

He de morir de cosas así.


      O poema explora a experiência íntima da ausência, transformando a falta numa condição existencial. O poema revela uma voz poética marcada pela solidão, pelo desejo e pela impossibilidade de alcançar plenamente aquilo que procura. A linguagem, breve e concentrada, cria uma atmosfera de fragilidade e inquietação, numa experiência profundamente humana e perturbadora.


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