Álamo Oliveira - Lua de ganga

 


quando te via

na ganga azul do teu fato

embandeirava-me de ternura

e propunha despir-te como

se lua fosses ou nada


tocava

com a ponta dos dedos

o poema do teu corpo


era azul mas eu morria de medo


      O poema transforma o desejo amoroso numa imagem simultaneamente quotidiana e poética. A ganga azul do vestuário aproxima a pessoa amada da lua, criando uma associação entre intimidade, beleza e idealização. O eu poético revela ternura e vontade de aproximação, mas também hesitação e receio. O corpo é metaforicamente apresentado como um «poema», sugerindo que amar implica descobrir e interpretar o outro. O contraste entre o azul e o medo confere ao poema uma delicada tensão emocional.


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