quando
te via
na
ganga azul do teu fato
embandeirava-me
de ternura
e
propunha despir-te como
se
lua fosses ou nada
tocava
com
a ponta dos dedos
o
poema do teu corpo
era
azul mas eu morria de medo
O poema transforma o desejo amoroso numa imagem
simultaneamente quotidiana e poética. A ganga azul do vestuário aproxima a
pessoa amada da lua, criando uma associação entre intimidade, beleza e
idealização. O eu poético revela ternura e vontade de aproximação, mas também
hesitação e receio. O corpo é metaforicamente apresentado como um «poema»,
sugerindo que amar implica descobrir e interpretar o outro. O contraste entre o
azul e o medo confere ao poema uma delicada tensão emocional.

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