Eu
queria ser como Marilyn,
mas
algo correu mal.
O
meu cabelo, os músculos, a boca, as mamas...
Algo
correu mal.
Eu
queria ser como Marilyn,
brincar
com os meus amantes
trocá-los
parti-los
enganá-los
tirar
a perna a um
a
outro o braço
comê-los
devagar,
como
cerejas cobertas de caramelo.
Morder-lhes
o coração.
Eu
queria passear sem cuecas
cantar
happy birthday ao presidente
dar
alegria ao meu daddy
foder
com o meu tiger
encher
com diamantes a mesa de cabeceira
suar
sonhar
virar-me
em
lençóis de linho pisado
por
três ou quatro gigantes.
Eu
queria ser como Marilyn.
Tentar
a vida dos magnates
foder
Franky
Jonny
e
Ronny.
Pôr
os United em xeque
cantar
canções fracassadas
no
piano de Truman Capote.
Beber
até cair
cheirar
umas linhas de heroína
apalpar
os colhões de uma equipa inteira de futebol
chupar
pilas em troca
de
rosas
pastilhas
100
frases.
Desenhar
o inferno só com uma linha,
com
a voz mais porca e mais doce.
Sim,
eu queria ser como Marilyn
E
como tu e tu
Como
a porteira
Até
a minha mãe.
Mas
definitivamente,
é
claro,
algo
correu
mal.
Tradução
de A.M.
O poema parte da figura icónica de Marilyn Monroe para
explorar o desejo de ser outra pessoa e a distância entre aparência e
identidade. A admiração pela atriz transforma-se numa reflexão sobre beleza,
fama e reconhecimento, mas também sobre a fragilidade escondida por detrás do
mito. O tom é simultaneamente confessional e irónico, revelando uma consciência
crítica dos modelos femininos impostos pela sociedade.

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