Encontro-as
por acaso numa ilharga
sombria
do caminho. São amarelas.
Reluzem
como um sol que arda na noite.
Estas
flores tão densamente de ouro,
eriçadas
de estames que parecem
a
pelagem dum gato posto à prova,
a
mim, que me comovo com igrejas singelas
de
preferência a grandes catedrais,
mostram
um esplendor totalmente inesperado
neste
chão de pedra que ninguém diria
poder
florir assim.
Ó
flores cujo nome desconheço,
prolongai
esse fulgor humilde em cada dia
de
que ainda disponho para ver as flores,
antes
de as flores virem ter comigo.
O poema parte da contemplação de flores para refletir sobre a
passagem do tempo, a fragilidade e a beleza efémera da existência. O amarelo,
associado à luz, ao amadurecimento e também ao declínio, adquire um valor
simbólico. O sujeito poético observa a natureza com atenção e transforma uma
realidade simples numa meditação sobre a condição humana.

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