Temor
dos teus olhos,
desse
vértice puro
onde
bate o pensamento,
temor
do teu olhar
oculto
veludo de álgebra
com
que me percorres,
temor
das tuas mãos
magnetos
ligeiros
reclamando
seiva,
temor
dos teus joelhos
que
me apertam o ventre
e
depois temor ainda,
até
o mar cobrir
este
meu corpo débil
e eu
por terra, desfeita
debaixo
de ti feito praia
e eu
então feita onda
que
tu feres uma vez e outra
com
o teu remo de Amor.
Tradução de A. M.
Original:
Paura
dei tuoi occhi,
di
quel vertice puro
entro
cui batte il pensiero,
paura
del tuo sguardo
nascosto
velluto d'algebra
col
quale mi percorri,
paura
delle tue mani
calamite
leggere
che
chiedono linfa,
paura
dei tuoi ginocchi
che
premono il mio grembo
e
poi ancora paura,
finché
il mare sommerge
questa
mia debole carne
e io
giaccio sfinita
su
di te che diventi spiaggia
e io
che divento onda
che
tu percuoti e percuoti
con
il tuo remo d'Amore.
O poema transforma o amor numa experiência simultaneamente
fascinante e inquietante. O eu poético sente medo do olhar, das mãos e da
proximidade física do amado, revelando vulnerabilidade perante um desejo que o
domina. As imagens do mar, da praia e da onda exprimem a fusão dos corpos e a
perda dos limites individuais. O amor surge, assim, como força irresistível,
sensual e quase dolorosa, capaz de conduzir à exaustão e à entrega absoluta.

Sem comentários:
Enviar um comentário