Alda Merini - Temor dos teus olhos / Paura dei tuoi occhi

 


Temor dos teus olhos,

desse vértice puro

onde bate o pensamento,

temor do teu olhar

oculto veludo de álgebra

com que me percorres,

temor das tuas mãos

magnetos ligeiros

reclamando seiva,

temor dos teus joelhos

que me apertam o ventre

e depois temor ainda,

até o mar cobrir

este meu corpo débil

e eu por terra, desfeita

debaixo de ti feito praia

e eu então feita onda

que tu feres uma vez e outra

com o teu remo de Amor.


  Tradução de A. M.


  Original:


Paura dei tuoi occhi,

di quel vertice puro

entro cui batte il pensiero,

paura del tuo sguardo

nascosto velluto d'algebra

col quale mi percorri,

paura delle tue mani

calamite leggere

che chiedono linfa,

paura dei tuoi ginocchi

che premono il mio grembo

e poi ancora paura,

finché il mare sommerge

questa mia debole carne

e io giaccio sfinita

su di te che diventi spiaggia

e io che divento onda

che tu percuoti e percuoti

con il tuo remo d'Amore.


      O poema transforma o amor numa experiência simultaneamente fascinante e inquietante. O eu poético sente medo do olhar, das mãos e da proximidade física do amado, revelando vulnerabilidade perante um desejo que o domina. As imagens do mar, da praia e da onda exprimem a fusão dos corpos e a perda dos limites individuais. O amor surge, assim, como força irresistível, sensual e quase dolorosa, capaz de conduzir à exaustão e à entrega absoluta. A pintura é de Heidi Rosner, A Touch of Red.


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