Fala
também tu,
fala
em último lugar,
diz
a tua sentença.
Fala
–
Mas
não separes o Não do Sim.
Dá à
tua sentença igualmente o sentido:
dá-lhe
a sombra.
Dá-lhe
sombra bastante,
dá-lhe
tanta
quanto
exista à tua volta repartida entre
a
meia-noite e o meio-dia e a meia-noite.
Olha
em redor:
como
tudo revive à tua volta! –
Pela
morte! Revive!
Fala
verdade quem diz sombra.
Mas
agora reduz o lugar onde te encontras:
Para
onde agora, oh despido de sombra, para onde?
Sobe.
Tacteia no ar.
Torna-te
cada vez mais delgado, irreconhecível, subtil!
Mais
subtil: um fio,
por
onde a estrela quer descer:
para
em baixo nadar, em baixo,
onde
pode ver-se cintilar: na ondulação
das
palavras errantes.
in, Sete
rosas mais tarde
Tradução
de João Barrento e Y. K. Centeno
Original:
Sprich auch du,
sprich als letzter,
sag deinen Spruch.
Sprich –
Doch scheide das Nein nicht vom Ja.
Gib deinem Spruch auch den Sinn:
gib ihm den Schatten.
Gib ihm Schatten genug,
gib ihm so viel,
als du um dich verteilt weißt
zwischen
Mittnacht und Mittag und Mittnacht.
Blicke umher:
sieh, wie’s lebendig wird rings –
Beim Tode! Lebendig!
Wahr spricht, wer Schatten spricht.
Nun aber schrumpft der Ort, wo du
stehst:
Wohin jetzt, Schattenentblößter,
wohin?
Steige. Taste empor.
Dünner wirst du, unkenntlicher,
feiner!
Feiner: ein Faden,
an dem er herab will, der Stern:
um unten zu schwimmen, unten,
wo er sich schimmern sieht: in der
Dünung
wandernder
Worte.
O poema é uma meditação sobre a palavra depois da catástrofe.
O poeta convida a falar, mas sem ilusões, procurando uma linguagem depurada,
fiel ao silêncio e à verdade. A voz poética recusa discursos fáceis e valoriza
a autenticidade, mesmo quando as palavras parecem insuficientes. A tensão entre
dizer e calar traduz o trauma histórico e existencial, transformando a poesia
num gesto de resistência, memória e responsabilidade perante o outro.
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