Na
hora de atravessar
essa
ponte do meio do caminho
quando
vais escolhendo malgré toi
os
chamados prazeres simples da vida
-
sabendo que no fundo são eles que te escolhem a ti,
somando-te
a seu séquito caduco -
então
simplificas o cálculo do mundo,
até
da beleza
que
presumias tão incalculável.
E
descobres que tudo se reduz
a
viajar do muito para o muito menos,
do
povoado para o vento do deserto,
do
excesso para o escasso,
a
declinar palavras consabidas
ou a
declinar sem mais, intransitivamente,
a
trocar os magníficos plurais
por
um cerco singular
esboçando
alguma resistência...
As
pontes inflamáveis
do
meio do caminho da vida.
Tradução
de A.M.
Original:
A
punto de cruzar
ese
puente del medio del camino
cuando
vas eligiendo malgré toi
los
llamados placeres sencillos de la vida
-sabiendo
que, en el fondo, te eligen a ti ellos,
te
suman a su séquito caduco-
simplificas
el cálculo del mundo: hasta de la belleza
que
presumías tan incalculable.
Y
descubres que todo se reduce
a
viajar de lo mucho a lo muy menos,
de
lo poblado al viento del desierto,
del
exceso a lo escaso,
a
declinar palabras consabidas
o a
declinar sin más, intransitivamente,
a
cambiar los magníficos plurales
por
un acorralado singular
enarbolando
alguna resistencia...
Los
puentes inflamables
del
medio del camino de la vida.
O poema reflete sobre a meia-idade como um momento de
transição inevitável, em que os ideais grandiosos cedem lugar à aceitação dos
limites da existência. A imagem da ponte simboliza a passagem para uma
consciência mais sóbria, onde a abundância se transforma em escassez e o plural
se reduz ao singular. Contudo, o poema não é resignado: afirma uma resistência
discreta perante o tempo, preservando a beleza e a dignidade da experiência
humana.

Sem comentários:
Enviar um comentário