Não é a família que faz as pessoas. São as pessoas que fazem
a família. Por isso é que há amigos que são família e há famílias em que não há
amigos. Há famílias em que as pessoas não são amigas. O grau de parentesco não
chega para unir uma família, só o grau de amor, num superlativo sem comparação,
pode estabelecer o vínculo para lá do que determina a árvore genealógica. A
árvore genealógica pode vir de longe e não ter raízes fundas. Pode ter muitos
ramos e em nenhum se abrigar um ninho. Não é o facto de pertencer a uma família
que faz com que exista sentimento de pertença; é a existência do sentimento de
pertença que estreita os laços e não deixa que se desfaçam. Não é a família que
justifica o amor, é o amor que justifica a família. Pouco pode o tronco de uma
árvore genealógica contra corações que não entroncam uns nos outros.

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