Não
me digam que não é possível.
Ao
menos, não o digam.
Deixem-me
como
se deixa o louco na sua fantasia.
Deixem-me
com a minha obstinação de bicho irracional
a
quem a lógica não se aplica.
Não
me digam que não.
Não me digam nada.
Já
sei, já sei que tudo pode ser explicado.
Eu
sei, mas não importa. Sei, mas é inútil.
Nunca
vos direi que sim.
Nunca.
Gosto,
simplesmente,
do
meu coração antiquado,
da
minha teimosa loucura.
Simplesmente.
Gosto
de ser assim.
No poema, a voz poética afirma uma recusa firme perante a
pressão social. O "não" funciona como símbolo de independência, resistência e
defesa da sua própria identidade. A linguagem direta reforça a determinação da
personagem, que rejeita submeter-se às expectativas dos outros. Ao longo do
poema, o conflito entre desejo, liberdade e imposição revela uma reflexão sobre
a autonomia feminina, valorizando a dignidade, a escolha pessoal e a
autenticidade dos sentimentos.

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