Evidentemente
não sou
como
esses fiandeiros de palavras
que
fazem as roupas e as corridas de agulha,
as
glórias, os orgulhos,
apesar
de me mover no meio deles
e
eles me olharem as palavras como se fossem malhas
– "Que bem posta que vais!", dizem-me,
– "Que bem que te fica o poema!"
sem
saber
que
os poemas não são o meu vestido,
mas
o esqueleto
extraído
com dor
e
posto por cima da carne como uma carapaça,
tal
como as tartarugas,
que
assim sobrevivem
séculos
longos
e infelizes.
Original:
Evidentemente
no me parezco
a
ninguno de esos hilanderos de palabras
que
se hacen los trajes y las carreras de ganchillo,
las
glorias, los orgullos,
aunque
me muevo entre ellos
y
ellos miran mis palabras como si fueran jerséis,
"—¡Qué
bien vestida vas", me dicen.
"—¡Qué
bien te queda el poema!",
sin
saber
que
los poemas no son mis vestidos,
sino
el esqueleto
extraído
con dolor
y
colocado encima de la carne como un caparazón,
siguiendo
el ejemplo de las tortugas
que
así sobreviven
largos
e infelices
siglos.
No poema, a autora reflete sobre a verdadeira natureza da
poesia. Critica os escritores que usam as palavras como ornamento ou
instrumento de prestígio, enquanto para ela os poemas nascem da dor e da
experiência mais profunda. A metáfora dos "esqueleto" transformados em "carapaça" revela que a poesia faz parte da sua própria identidade e exige sofrimento.
Assim, o poema valoriza a autenticidade artística e apresenta a escrita como
uma forma de sobrevivência e resistência interior.

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