Carlos Drummond de Andrade - Memória



Memory, 1948, by René Magritte


Amar o perdido

deixa confundido

este coração.


Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.


As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão.


Mas as coisas findas,

muito mais que lindas,

essas ficarão.


      Estes versos refletem sobre a permanência do passado na consciência humana. A memória surge como uma força seletiva, capaz de preservar emoções e experiências, mesmo quando o tempo apaga factos concretos. O poeta valoriza a dimensão afetiva das recordações, mostrando que aquilo que permanece não é necessariamente o que aconteceu, mas o que ganhou significado interior.


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