O rio da noite é outro,
atravessado e só na cidade que dorme.
Gosta que eu lhe leve poemas e laranjas,
que não o tema e que o tema
arrulhando com alemães bonitos
que olhavam o céu para fazer casa
e homens tristes perdidos por terra adentro.
"A vida deve-lhes o inominável"
e abre-me os braços escuros.
"Podias adormecer docemente".
Fala-me como a uma borboleta
que o vento estremece.
Mas amanhece e já não é o mesmo.
O rio da noite não me reconhece
por entre as moças
que atravessam a ponte.
Original:
El río de la noche es otro
atravesado y solo en la ciudad que duerme.
Le gusta que le lleve naranjas y poemas
que no le tema y le tema
arrullándome con alemanes hermosos
que miraban el cielo para construir su casa
y hombres tristes que se perdieron tierra adentro.
“La vida les debe lo innombrable”
y me abre los brazos oscuros.
“Podrías dormirte dulcemente”.
Me habla como a una amapola
que tiembla en el viento.
Pero amanece y no es el mismo.
El río de la noche no me reconoce
entre todas las muchachas
que cruzan el puente.
O poema apresenta uma atmosfera densa e melancólica, onde a
noite simboliza memória, perda e identidade. A voz poética percorre um rio
interior, revelando fragmentos de dor, infância e silêncio. Imagens sensoriais
criam um espaço íntimo e inquietante, onde o tempo parece suspenso. O poema
explora a solidão e a fragilidade humana, sugerindo uma busca por sentido num
mundo sombrio e incerto, marcado por ausências persistentes e ecos do passado
que não cessam nunca.

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