Vinham de longe, arrastados pelos ventos, e escondiam
nas mãos um punhado de areia fina para não esquecerem
o cheiro dos desertos. Subiram à montanha e,
com um ramo quebrado, puseram-se a riscar o contorno
do lago e os caminhos tortuosos das primeiras margens.
A água fascinava-os, como aos cavalos que traziam
alados e sem crinas para chegarem mais cedo.
Nessa noite acamparam no vale. Assaram um veado. Beberam
ás mulheres que haveriam de ter. e adormeceram
mais longe do céu.
Sonharam com o fogo para não terem de cortar o trigo.
De manhã, a planície estava ainda mais plana.
O poema reflete sobre a fragilidade das relações humanas e a
incapacidade de comunicação autêntica. Os "bárbaros" simbolizam a indiferença
emocional e a violência subtil presente no quotidiano. A linguagem contida
intensifica o sentimento de distanciamento e desencanto. Há uma crítica à
superficialidade dos afetos e à erosão da empatia. O tom melancólico revela uma
consciência aguda da solidão contemporânea, onde o outro surge como ameaça ou
ausência, mais do que como possibilidade de encontro verdadeiro.

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