O super-homem não segue moralidades impostas – ele cria os seus próprios valores. O super-homem está para além das noções do bem e do mal. O super-homem alimenta-se da vontade de poder – é ela a sua inesgotável fonte de superação. O super-homem não depende da aprovação dos outros – ele é mestre de si próprio. O super-homem não foge da realidade – aceita-a como ela é. O super-homem não crê no inferno, no diabo, nem em Deus ou no céu – ele abandona toda a transcendência. O super-homem odeia a segurança e ama a ousadia. O super-homem encontra-se em constante transformação. Bem sei que Nietzsche tem as costas largas e que o seu conceito de Übermensch foi muito usado e abusado pelo regime Nazi, mas não consta que Nietzsche fosse nacionalista ou anti-semita, e, dado que rejeitava radicalmente a mentalidade de massa – era uma das suas críticas ao cristianismo – é preciso martelar com muita força o conceito de Übermensch para Hitler caber nele. Já quando olho para Trump e para a sua indescritível personalidade, vejo-o a encaixar nas profecias de Zaratustra de uma forma semelhante à de Hegel quando, perante Napoleão, declarou ter visto "o Espírito do Mundo a cavalo". O meu espírito filosófico é semelhante, embora sem cavalo: Donald Trump é o super-homem nietzschiano em tons de laranja.
João Miguel Tavares

Sem comentários:
Enviar um comentário