É nómada digital
Tem escritório no quintal
Teletrabalha no Minho
Fala estrangeiro de fora
Coitada da Dona Aurora
Que não entende o vizinho
Gorro e flanela vestida
Óculos e barba comprida
Calça que não tapa a meia
Mata-se a tratar da horta
Mas não sai da cepa torta
É a comédia da aldeia
Tudo anda a murmurar
Que o viram fotografar
A bosta dos animais
Não sei quantos .com
Ele deve passar fome
Arrobas não são quintais
A rir-se do lavrador
De rato e computador
Enquanto apanha limões
Sobre o muro empoleirada
Qual treinador de bancada
Dá Aurora as instruções
Arranca as ervas do chão
Pega assim na roçadeira
Leva o carrinho de mão
Puxa a corda do motor
Cava o galeiro em linha
Neste baile o mandador
É a chata da vizinha.
De todas as redondezas
Vêm ver estas proezas
Do lavrador estrangeiro
A tentar usar sachola
Sem saber vergar a mola
É um circo no terreiro
A Aurora a dar ao braço
Vai mandando no compasso
Deste baile no quintal
Dança ela e as vizinhas
Mais o estrangeiro lingrinhas
O baile neo rural.
O estrangeiro empreendedor trata a horta com primor
Já parece lavrador tudo graças à vizinha.
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