Nunca
dormi nos teus braços,
nunca
acordei de manhã a ver o armário, a janela, os livros,
ou
escutei o ruído dos canos, os passos solitários na rua,
e
pensei, incrédulo, que sendo tudo isso real
tu
também devias ser.
Não
soube a que sabiam os teus lábios, ou o teu riso,
não
te vi a despir,
não
soube nem saberei nunca como os teus olhos, no amor,
incendiavam
a noite.
Essa
falta, bem sei, é uma mutilação sem remédio,
um
triste coto de um braço que levarei comigo até à morte.
É
também, a seu modo, forma e prova de amor,
de
lúcido humilhado amor,
de
devastado e verdadeiro amor,
que
eu ofereço à tua lembrança.
Eu tive um caso, assim, com a Domingas Assunção Galamba Ascenção. Vivia no Laranjeiro e um dia passei em frente da sua casa. Parei e continuei. Tal como Dante nunca entre nós houve nada, mas em mim houve quase tudo. Hoje, a memória continua terna.

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