Eduardo Chirinos



Uma formiga carrega com esforço

uma folha.

           A folha é enorme

e multiplica o seu tamanho. Trata-se

de um dever inevitável, de uma

obediência atávica.

                    Atrás dela

formigas idênticas carregam folhas

idênticas. Amanhã repetirão o ritual,

a sua razão de ser que ignoro.


Em breve cumprirei cinquenta anos.

Penso na formiga.

Na sua dança cega até à morte.


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