desperdiçávamos o tempo
a ordenar num álbum as fotos do Verão
para as olhar um dia com saudade
juntávamos berlindes pedras
livros cartas poemas
adiávamos assim a felicidade, a vida
ainda não sei porquê
nem sei para quando
O poema reflete sobre o
tempo como força inevitável e silenciosa. O futuro surge não como promessa
luminosa, mas como algo que avança sem pedir autorização, desmontando
expectativas e certezas. A voz poética observa o presente com lucidez e uma
leve ironia, consciente da fragilidade dos planos humanos. Há um tom de
aceitação melancólica: o futuro chega, independentemente do desejo, trazendo
perda, mudança e aprendizagem.

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