Isabel Bono - O futuro acabará por chegar



desperdiçávamos o tempo

a ordenar num álbum as fotos do Verão

para as olhar um dia com saudade


juntávamos berlindes pedras

livros cartas poemas


adiávamos assim a felicidade, a vida


ainda não sei porquê

nem sei para quando


      O poema reflete sobre o tempo como força inevitável e silenciosa. O futuro surge não como promessa luminosa, mas como algo que avança sem pedir autorização, desmontando expectativas e certezas. A voz poética observa o presente com lucidez e uma leve ironia, consciente da fragilidade dos planos humanos. Há um tom de aceitação melancólica: o futuro chega, independentemente do desejo, trazendo perda, mudança e aprendizagem. 


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