Eugénio de Andrade - Nem sempre a luz vem assim

 


Nem sempre a luz vem assim:

salta como um rapaz muro após muro,

entra pela janela.


O brilho dos medronhos chega ao fim:

extrema ponta dos dias,

aproximação da água.


Dia feito para a música, dizias;

ou para a dança, acrescentavas:

ritmo puro, sustido.


De muro em muro, sem nenhum peso,

entra pela casa.

Agora é ela que dorme comigo.


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