Ainda
bem
que
não morri de todas as vezes
que
quis morrer – que não saltei da ponte,
nem
enchi os pulsos de sangue, nem
me
deitei à linha, lá longe. Ainda bem
que
não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei
na farmácia, com receita fingida,
uma
dose de sono eterno. Ainda bem
que
tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo
de não morrer completamente
e
ficar para aí – ainda mais perdida do que
antes
– a olhar sem ver. Ainda bem
que
o tecto foi sempre demasiado alto e
eu
ridiculamente pequena para a morte.
Se
tivesse morrido de uma dessas vezes,
não
ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto
escrevo este poema, que pode
não
parecer – mas é – um poema de amor.
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