Clarice
Lispector,
a
senhora não devia
ter-se
esquecido
de
dar de comer aos peixes
andar
entretida
a
escrever um texto
não
é desculpa
entre
um peixe vivo
e um
texto
escolhe-se
sempre o peixe
vão-se
os textos
fiquem
os peixes
como
disse Santo António
aos
textos.
Em A mulher que matou os peixes, Clarice Lispector escreve
uma narradora que pede desculpas por ter deixado que os peixinhos vermelhos do
seu filho morressem de fome. Provavelmente instigada pela polissemia da
confissão da narradora do livro ("essa mulher que matou os peixes infelizmente
sou eu", frase que pode ser lida como referida tanto à personagem narradora
como à figura de Clarice), a poetisa portuguesa Adília Lopes escreve, meio
século depois, este poema em repreensão irónica.
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