Odisseia




Fosse eu Ulisses e serias o Mediterrâneo dos meus dias, mar da minha perdição, tela do meu desastre. De ti, não haveria caminho de retorno, vento de partida, águas idas na sede da vazante.

Com escarpas afiadas e tochas de assaltante me afundarias.

Todos os ardis que os livros narram, que os milénios encerram, todos usarias. Com todos soçobraria.

E morreria, nessas correntes que urgem na tua pele, e morreria no perímetro do teu abraço, e morreria afundado no teu canto.

Viver a naufragar em ti. Só assim aceito a eternidade.


      in, xilre

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