Halfdan Rasmussen - Sobre a perfeição

 


Cada vez que vou escrever o poema perfeito,

coisa que tento uma e outra vez,

a mão põe-se a tremer e ataca-me o reumatismo

e a esferográfica produz borrões.

 

E quando estou tranquilo e se aplacou o reumatismo

e a minha esferográfica escreve persistentemente,

é a minha mulher que entra de dois em dois minutos

a perguntar se terminei o supracitado poema.

 

E quando por fim logro redimi-lo

mediante dores e aflições

faltam esse tremor, esse reumatismo, esses borrões

que o perfeito tem, se é que existe.


      O poeta e alguns poucos artistas apenas tentam chegar à verdade e, como dizia o papa Bento XVI, se o fizerem com a arte de Deus, eles podem alcançar a perfeição. 

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