F. Silveira Souza - Amanhecer

 


Sopra rijo o tufão. É madrugada.

No céu pingos de luz a cintilar.

Surge no oriente uma luz encarnada

Ofuscando as estrelas e o luar.

 

Manhã risonha e assaz movimentada.

Na fronde o pintassilgo a entoar

Trinados meigos. Toda a passarada

Os ares cinde como a vela o mar.

 

O vaqueiro aboiando uma ária triste

Vai no cavalo baio de gibão

Tocando o gado que já não resiste

 

À seca. Em frente, de enxada na mão,

O bravo lavrador ara e persiste,

Olhando o céu à espera do trovão.


      Não há nada na web que nos indique quem é este poeta. Cheguei a duvidar que o seu nome estivesse correto. Todavia este soneto, sobre a vida no Sertão nordestino, está tão bem escrito que o publiquei. É muito belo.

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