Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.
O amor promove o sofrimento e a solidão. Estávamos no século XVI, e segundo julgo, o sofrer d' amor estava na "moda", e também afectou o nosso maior poeta. Nos séculos seguintes e ainda hoje os poetas têm tendência para amores desafortunados, não correspondidos, saudosos, mas ninguém a Camões se assemelha. Repare-se na beleza do último terceto.

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