Luís de Camões - Busque Amor novas artes, novo engenho

 

    

Busque Amor novas artes, novo engenho

Pera matar-me, e novas esquivanças,

Que não pode tirar-me as esperanças,

Que mal me tirará o que eu não tenho.

 

Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temo contrastes nem mudanças,

Andando em bravo mar, perdido o lenho.

 

Mas, enquanto não pode haver desgosto

Onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que mata e não se vê,

 

Que dias há que na alma me tem posto

Um não sei quê, que nasce não sei onde,

Vem não sei como e dói não sei porquê.


      O amor promove o sofrimento e a solidão. Estávamos no século XVI, e segundo julgo, o sofrer d' amor estava na "moda", e também afectou o nosso maior poeta. Nos séculos seguintes e ainda hoje os poetas têm tendência para amores desafortunados, não correspondidos, saudosos, mas ninguém a Camões se assemelha. Repare-se na beleza do último terceto.

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