João Roiz de Castelo Branco - Partindo-se

 

 


"Senhora, partem tão tristes

meus olhos por vós, meu bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

 

Tão tristes, tão saudosos,

tão doentes da partida,

tão cansados, tão chorosos,

da morte mais desejosos

cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,

tão fora d' esperar bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém."


      José Cid alcançou a idade de 79 anos. É um ídolo que guardo num canto do peito, desde o dia em que o ouvi cantar, em 1969, no Colégio Militar dos Pupilos do Exército onde estudava. Ontem, passados 50 anos, na televisão, ouvi-o dizer "Se houvesse algum conselho para dar às novas gerações de criadores de canções, eu diria, escolham sempre grandes poemas."  

      Este, é um poema de amor que ele escolheu e que celebra João Roiz de Castelo-Branco, poeta do século XV, militar e nobre português, fidalgo da Casa Real, cortesão e poeta humanista. As cinco composições que se conhecem da sua autoria, foram publicadas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Muito belo, Sr. Cid.

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