João Luís Barreto Guimarães - A meias

 


Bebo o meu café enquanto bebes

do meu café. Intriga-me que faças isso.

Se te posso pedir um

(se podes tomar um igual)

porque hás-de querer do meu?

Que

não. Que não queres. Escuso

de pedir

que não queres. Então

começo

um cigarro e tu fumas do

meu cigarro dizes

«tenho quase a certeza de

não acabar um sozinha» por isso

fumas do meu. Dá-te

gozo esse roubar

de

leves goles furtivos

dá gozo participar

do prazer que eu possa ter

contigo

(e entre nós)

dá-se agora tudo

a meias.


      Confesso que gosto de partilhar tudo, menos o sofrimento.

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