Horácio. I.32 - Poscimur

 

 


Poscimur. Si quid vacui sub umbra

lusimus tecum, quod et hunc in annum

vivat et pluris, age, dic Latinum,

     barbite, carmen!

 

Lesbio primum modulate civi,

qui, ferox bello, tamen inter arma,

sive jactatam religarat udo

     litore navem,

 

Liberum et Musas Veneremque et illi

semper hærentem puerum canebat

et Lycum nigris oculis nigroque

     crine decorum.

 

O decus Phœbi et dapibus supremi

grata testudo Iovis, o laborum

dulce lenimen, mihi cumque salve

     rite vocanti.

 

Chamam-nos. E não deixámos já tantas vezes

o tempo correr ao tocar-te? Canta-me agora,

lira minha, um composto poema que dure este e

    muitos mais anos.

 

Tocou-te primeiro alguém de Lesbos,

alguém corajoso que ainda assim quer entre batalhas

quer após aportar a sua barca nas

    ondas da costa,

 

Cantava o Pai Livre, as Musas, Vénus, aquele

rapaz que nunca o largava,

e ainda Lyco de olhos negros e de deslumbrantes

    cabelos negros.

 

Lira minha, honra de Febo, conviva

sempre bem-vinda dos banquetes de Júpiter,

doce pausa dos meus trabalhos, nunca deixes de responder

      quando te chamo.


      Horácio era filho de um escravo liberto em Roma, que possuía a função de receber o dinheiro público nos leilões. Como tal, recebeu uma boa educação para alguém com suas origens sociais. Os seus estudos literários de Roma foram completados em Atenas, para onde foi, aos vinte anos. Neste poema ele faz uma invocação à musa para que a sua arte se torne intemporal. A tradução é da net e é possível reconhecer a beleza.


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