Friedrich Hölderlin - Diotima

 


Morto há muito tempo, e a cismar sobre

si mesmo,

O meu coração está a saudar a beleza do

mundo

Com ramos que dão flor, e dão botões,

e o viço de uma seiva nova.

Já estou a voltar à vida, oh!,

Sigo o ímpeto de bem-aventurança das

minhas flores

Que, ao rasgar o seu sólido conceptáculo,

sobem, volteando, para o ar e para a luz.


      Hölderlin foi um filósofo, poeta lírico e romancista alemão. Conseguiu sintetizar na sua obra poética o espírito da Grécia antiga, os pontos de vista românticos sobre a natureza e uma forma não-ortodoxa de cristianismo, alinhando-se hoje entre os maiores poetas germânicos.

      O título do poema vem de Diotima de Mantinea que foi uma sacerdotisa e filósofa grega antiga que se pensa ter vivido por volta de 440 a.C. e que é apresentada com um papel importante no Banquete de Platão, nele afirmada como mentora de Sócrates nas questões de Amor.

      O poema mostra-nos o homem romântico que sofre do mal du siècle, não se sente bem na sua época, morre nela e procura a ressurreição na natureza. Muito belo.  

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