Os olhos daquela, aquela
e os olhos daquela além.
São os olhos duma rosa
parecem os do mê' bem!
Além daquela janela
dois olhos me estão matando:
Matem-me devagarinho,
que eu quero morrer cantando!
Que eu quero morrer cantando
nos braços duma donzela!
Dois olhos me estão matando,
além daquela janela.
Vivi a infância no Alentejo. Era o
tempo em que não havia televisão em casa e, para ver um filme ou um jogo de
futebol, tinha que ir à taberna da rua. Mal me sentava, em volta de uma
chouriça e de copos de vinho, alguém começava a cantar. Aquelas vozes nunca saíram
de dentro de mim.
Cantado em coro e sem qualquer recurso a instrumentos musicais, por grupos de homens e mulheres, o Cante Alentejano era, e é, uma manifestação popular característica dos vários concelhos do distrito de Beja. Embora não seja específico de nenhum género ou estrato social, é muitas vezes associado às classes rurais que se formaram numa região onde a industrialização agrícola e a extracção mineira se desenvolveram durante o final do século XIX e século XX. O primeiro grupo coral surgiu em 1926, associado aos trabalhadores das Minas de São Domingos, hoje desactivadas, iniciativa seguida por um segundo grupo em Serpa, em 1927.
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