Maria do Sameiro Barroso - Lua de logo

 


Quisera adivinhar-te num cálice branco

de açucenas,

percorrer-te entre as ondas, beber, em ti,

a maresia, a lua de logo,

a rosa inarticulada de um fonema.

 

Depois, amar-te, entre o rosmaninho,

o feno, a alfazema,

no paraíso dos teus braços fluir,

no teu remanso ébrio,

nascer dos relâmpagos de seda,

na lâmpada nocturna,

nas uvas do teu corpo, florir,

e colher, na chama, no secreto lume,

o fruto, a estrela,

 

a seiva doce do poema.


      A sagração das palavras que se escrevem nos versos.

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