Louise Glück - A fogueira

 


Se tivesses morrido quando estávamos juntos

eu não teria querido nada de ti.

Agora penso em ti como morto, é melhor.

 

Muitas vezes, nos frescos crepúsculos da primavera

quando, com as primeiras folhas,

tudo o que é mortal entra no mundo,

faço uma fogueira para nós, de madeira de pinho e macieira;

repetidamente

as chamas flamejam e diminuem

à medida que a noite vem, na qual

nos vemos tão nitidamente -

 

E nos dias contentamo-nos

como antigamente

na relva alta,

nas portas e sombras verdes do bosque.

 

E tu nunca dizes

deixa-me

porque os mortos não gostam de estar sós.


      Sem se ver como na antiga fogueira de Camões.

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