Hilda Hilst

 

Para poder morrer

Guardo insultos e agulhas

Entre as sedas do luto.

 

Para poder morrer

Desarmo as armadilhas

Estendo-me entre as paredes

Derruídas.

 

Para poder morrer

Visto as cambraias

E apascento os olhos

Para novas vidas.

 

Para poder morrer apetecida

Cubro-me de promessas

Da memória.

 

Porque assim é preciso

Para que tu vivas.

 

      É assim que se ama, quando o amor se transforma na nossa cruz.

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