Somos apenas água dentro
da ânfora.
É da ânfora a nossa forma
a nossa luz e a nossa sombra.
Estamos para ser
bebidos
Ser o alimento das rosas
e a saliva do cão
-o bico da rola
que abre a música dentro do cristal.
Somos para ser despejados na rua
ou, tão só, nos perdermos dentro dos tubos escuros
misturados em urina e fezes.
E, no entanto, a água que somos
torna brancas as escadas de mármore
E tantas vezes arde
até ao incêndio.
A condição humana limitada no portão que não abre e não tem chave.

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