o homem bebia.
o homem bebia para esquecê-la tanto quanto para lembrá-la.
o álcool como a tirar-lhe a lembrança para devolvê-la depois.
ou o contrário disso.
o álcool para desinfetá-lo das fundas dores e lustrar o seu
recente amor antigo.
o homem bebia para ficar mais longe do ontem.
aos goles, acentuava as inexatidões.
com as palavras de bêbado, falava para se ouvir.
enchendo a garrafa de flores a fazer-lhe um jardim para o
descanso.
"quando melhorar, quero ser longe" - dizia.
era o homem como todos nós: tolo.
apenas destituído de sua lucidez.

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