Se não queres que descanse nos Teus ombros
a minha fronte atormentada
E não me convidas para as colheitas de trigo,
onde espigas vibram à música das Tuas palavras
Nem me permites brincar com algas e conchas
na areia da praia,
onde os Teus consertam as redes, no oficio de pescar
Se tropeço nas raízes da Cruz,
ao colher as flores que amanhecem nos Teus rastros.
E tenho de ficar sozinha,
esquecida,
até que venhas.
Unge os meus olhos, para que Te reconheçam
sob o véu de todas as ausências.
E os meus joelhos,
para que possa equilibrar-me
nesse fio de luz estendido sobre os abismos.
Esta poetisa brasileira
é conhecida pelo nome carinhoso de Carminha, cujo o nome completo é Maria do
Carmo Sousa Coelho, nasceu em Dores do Indaiá em 16 de Abril de 1903. As suas
obras, sobretudo A Luz e o Trigo, ao primor da qualidade literária, juntam uma
fome mística, uma necessidade de absoluto. O nosso Daniel Faria teria nela a sua noiva.
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