![]() |
Pela alameda de silvas vai o amador
das vastas alegorias
O pastor enlevado a flauta e as ovelhas.
Vai o barco pela barra e nele o marinheiro.
Teu mar é um palimpsesto
e as tuas ilhas gregas.
Tudo está cheio de deuses aqui no meu caminho.
O burro e a carroça, a bicicleta e o carro
são transportes directos para um Olimpo
rural, oposto do marinho.
A boca seca, a força braçal dos jornaleiros,
o cuspo, o som das cavas, a entrada do ferro
das enxadas nas resistentes leivas do Outono
Cenas vivas da terra aberta aos olhos infantis
que vão saber amar para sempre esses dias inteiros.
Tudo o que a vista toca, a língua cheira,
o ouvido sente, a pele escuta, o nariz fita
na gramática do corpo na tabuada da alma
As minhas linhas-férreas correm
no leito dos teus rios.
Éramos duas crianças a caminho
da escrita.
É esta a estrada.

Sem comentários:
Enviar um comentário