Alexandre O’Neill - Formiga Bossa Nossa

 


Minuciosa formiga

não tem que se lhe diga:

leva a sua palhinha

asinha, asinha.

 

Assim devera eu ser

e não esta cigarra

que se põe a cantar

e me deita a perder.

 

Assim devera eu ser:

de patinhas no chão,

formiguinha ao trabalho

e ao tostão.

 

Assim devera eu ser

se não fora não querer.


      Esopo ensina-nos, sim, que a vida não pode esquecer o outro lado das coisas. Daí as representações pedagógicas do mundo às avessas. Poderia a formiga viver sem a música das cigarras? Poderia a cigarra viver sem o trabalho das formigas? Claro que não. Uma fábula é um paradoxo ilustrado. Temos sempre de a ver o direito e o avesso.   In, picos de roseira brava


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