No descomeço
era o verbo.
Só depois é
que veio o delírio do verbo.
O delírio do
verbo estava no começo, lá
onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos
passarinhos.
A criança
não sabe que o verbo escutar não
funciona
para cor, mas para som.
Então se a
criança muda a função de um
verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia
que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.
Comigo, deliraram verbos como 'amar' e 'sofrer'.
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