Luís Delfino - Paisagem do Sertão

 


Pelo sapê furado da palhoça

Milhões de astros agarram-se luzindo;

O pai há muito madrugou na roça.

A mãe prepara o almoço. O dia é lindo.


Canta a cigarra; o porco cheira; engrossa

O fumo dos tições; anda zunindo

À porta um marimbondo e fazem troça

As crianças com um ramo o perseguindo.


Correm, chilram, vozeiam, tropeçando

Num velho pote; a mãe zangada ralha,

A avó lhes lança um olhar inquieta e brando.


No chão, um galo ajunta o milho e espalha,

Enquanto a um canto, as plumas arrufando,

Põe a galinha no jacá de palha

      A cultura sertaneja tem tradição, beleza e mistério. Por exemplo: Bumba meu Boi é um festejo que apresenta um drama. O dono do boi, um homem branco, testemunha um homem negro a roubar o seu animal para alimentar a esposa grávida que estava com vontade de comer língua de boi. Matam o boi, mas depois é preciso ressuscitá-lo. Só no Sertão.

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