Gonçalo M. Tavares - O que poderias ver?


      A imaginação, a capacidade de produzir imagens mentais de coisas que não estão imediatamente à frente dos olhos, é uma capacidade humana invulgar que, infelizmente, muitas vezes é desvalorizada, e quase atacada, no processo educativo.

Aliás, as frases:

— Está atento!, tens a cabeça na lua!, etc.

são expressões repressivas que mostram como a escola está constantemente a dizer: não imagines, vê! Como se aquilo que é mostrado fosse sempre mais importante e relevante do que aquilo que é imaginado.

      Uma escola paralela, quase utópica também, seria aquela em que os professores por vezes diriam: hoje não estás suficientemente na lua!, ou: não estejas tão atento, colado, ao que te estou a mostrar!

      Ou, dizendo de uma forma não tão extrema, mais realista: a escola deveria dar a ver, dar a conhecer, apenas aquilo que potencie a imaginação. Vou mostrar-te algo que te permitirá mais tarde imaginares muitas outras coisas. Imagens que alimentem a imaginação e não que a diminuam. Substituir definições por imaginações — este podia ser um lema; contestável, claro, mas que permitiria, talvez, uma discussão e uma deslocação do espaço mental do ensino.

      Nota do blogue: O problema de imaginar demais é o confronto com os pés no chão. As pontes podem-se imaginar mas constroem-se com a soma de cimento, ferro, tijolo, pedra. É 'perigosa' a sua sugestão mas entendo o que quer dizer.

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