Ana Hatherly - Não menos que Helena bela

 

Não menos que Helena bela

Ela senta-se à janela

Porém não à janela mas às janelas

Do computador

Que abrem portas que são redes

Páginas que são sítios

Avenidas que são ermos

Que agora percorremos

Já sem voz

Cada vez mais sós

Tanta profusão

Atira-nos

Para um lixo que nos deita fora.


      Nunca se viu tanta gente sozinha. Estamos a assistir à morte da palavra e sem palavras não há afectos, sem palavras não há famílias, não há comunidades. Cheira a enxofre, o Diabo anda por aí.

Sem comentários:

Arquivo do blogue