A Calúnia de Apelles
é uma pintura de Botticelli elaborada em 1495, a partir da técnica têmpera
sobre madeira. Mede 91x62 centímetros e encontra-se na Galeria Uffizi, em
Florença. Foi concebida depois da queda da Família Médici, uma família de
mecenas, durante o domínio das ideias de Savonarola.
A tela alude à falsa
acusação de que fora vítima Apeles, de ter conspirado contra Ptolemeu IV,
Filopátor, e é entendida como uma alegoria do que seria a Justiça naquele
momento da História, ainda que a base dela seja a calúnia em si.
No quadro, a
dramaticidade da cena está presente não só pelas expressões faciais dos
personagens, mas também pelas posições dos corpos, com braços e pernas
torcidos, sugerindo movimento. De acordo com a iconologia, as figuras
representadas simbolizam conceitos: a Calúnia, a Inveja, um homem arrastado
para o Rei Midas, atento ao que dizem a Suspeita e a Ignorância, o Remorso
observa a cena e a Verdade nua, distante dos demais. O uso de cores
contrastantes, que dava a ilusão de claro e escuro, começou a ser utilizado
pelo pintor nesse período, sendo que esta obra foi a última sem aspectos
religiosos que ele produziu.
Nessa alegoria,
Botticelli retrata o juiz em posição contrária à Verdade, que, ao apontar para
o céu, sugere que ela cabe ao divino, assim como a justiça. Assim, o artista
retrata a ineficiência da justiça no mundo, visto que o acusado já paga pela
pena antes mesmo de ser julgado. Ele é arrastado pelos cabelos e não aparece em
posição suplicante, como se já tivesse perdido a esperança. As testemunhas são
a Suspeita e a Ignorância, que atormentam o juiz incapaz de pautar argumentos
na vontade divina. Os olhos dele estão direccionados ao nada, como se não
devesse atentar-se para o que estão a dizer e retomando a ideia de que a
justiça é cega.
in, Wikipedia






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