o meu medo é o deserto ser um livro,
o mundo todo ou só a minha casa ser um livro,
e eu ser um objecto imundo,
um adereço provisório do autor,
porventura uma gralha corrigida.
o meu medo é que uma palavra grande
faça sombra a uma palavra mais pequena,
como a violência doméstica,
que as tuas mãos,
unidas uma sobre a outra,
não saibam ler-se,
que um dia recebas
a notícia da tua morte.
o meu medo é o coração arder,
os homens comerem outros homens,
a carne ser uma terra boa para as plantas,
ter de ladrar para estar vivo.
o meu medo é ter de ladrar para estar vivo.
in, a tradução da memória
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