Caminham as mulheres com as suas extensas lezírias
e luas em trânsito.
Vêm de cidades submersas anteriores às cidades
dos musgos e fetos de flores primitivas.
Surgem dos lugares iniciais
e trazem o lume da distância para perto.
Vestem brancos linhos azuis que o vento volteia
desde o livro de Moisés.
No aceso silêncio dos olhos derramam intensos
perfumes
e com o longo lavrado dos cabelos encobrem
o lustro da nuca e inclinam a varanda dos ombros
para uma paisagem de penumbras iluminadas.
Quando sobre o restolho distendem as pernas
definem num sopro o relevo das planícies.
Erguem casas nas margens dos lagos, erguem todas
as casas
nas margens do pensamento.
E um palmo depois da soleira da porta a noite
reincide
o mundo cai a pique depois da última parede.
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